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MISSISSIP
Pai das águas, Pai do Jazz
Por Sávio Tarso
As lágrimas dos bluesmans se misturaram às águas turvas
de seu leito para deslitar dessa fusão a sonoridade mais
influente do nosso tempo. De dentro de um barco a vapor, em
1914, a melodia originada da vazão criativa de W. C. Handy,
St. Louis Blues, soou em profusão de notas desvairadas e
transbordou como a síntese mais perfeita de uma corrente
musical que iria unir todas os estilos, todos as culturas e
todas as raças. O Jazz irrompia as margens espessas do
Mississipi como um som afluente que desaguaria nos sete
mares e cinco oceanos do mundo.
Não foi por acaso que um rio inspirou os primeiros solistas
do Jazz como King Oliver e Louis Armstrog. O Mississipi
testemunhou os horrores da Guerra Civil que quase fragmentou
os EUA. Após o conflito, esse caminho de águas escuras
aproximou o rural e o urbano, o branco e o negro, a
musicalidade européia e a africana.
O 12º Ipatinga Life Jazz elegeu o Rio Mississipi como tema
de 2010. Após homenagear Nova Orleans, nosso evento quer
navegar na história dessa bacia hidrográfica que teve um
papel fundamental na formação da multicultural sociedade
norteamericana. Assim como o Mississipi, o Jazz inundou o
cenário internacional da música de uma liberdade de
expressão perene e um poder de criação artística jamais
imaginada.
Mississipi é palavra de origem indígena. Em idioma Ojibwe
significa "pai das águas". Este ano, o Mississipi desembocou
no Rio Doce para também mostrar sua força como o “pai do
jazz”.
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